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O potencial de gás natural de Moçambique continua enorme

Prevê-se que o projecto FLNG (Infraestrutura Flutuante de Gás Natural Liquefeito), denominado Coral Sul, de 3,4 toneladas métricas por ano (MTPA), agora em curso na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, realize a primeira produção de gás em 2022, colocando Moçambique como um produtor de GNL-Gás Natural Liquifeito.

Numa reflecção sobre a sexta edição da conferência Mozambique Mining Oil and Energy (MMEC), recentemente realizada, em Maputo, Paul Eardley-Taylor, director de Petróleo e Gás para África Subsariana do Standard Bank, disse esperar que o GNL de Coral seja vendido globalmente e, como um subproduto, também possa abrir a perspectiva de vendas regionais de GNL (para a África Oriental ou Austral).

Para Paul Eardley-Taylor, os recursos de gás natural offshore de Moçambique são imensos e de alta qualidade. As descobertas existentes na Bacia do Rovuma, contêm recursos na ordem dos 150 triliões de pés cúbicos (Tcf), isso equivale a 25 biliões de barris de petróleo equivalente (BOE).

Fazendo uma comparação regional, indicou que o Uganda descobriu 1,7 bilião de BOE e o Quénia tem 0,6 bilião BOE de recursos. Portanto, o potencial de gás natural de Moçambique continua enorme e provavelmente será utilizado à medida em que se passar para um mundo onde há cada vez menos uso intensivo de carbono.

No que diz respeito ao mercado de GNL, o Standard Bank debateu as mudanças da política energética chinesa (um movimento em direção a um ar mais limpo). Isso resultou num significativo aumento anual na demanda chinesa de GNL em 2017 (cerca de 40% em relação a 2016). Este facto contribuiu globalmente para um aumento acima de 10% (comparado a 2016) na demanda de GNL de 293 MTPA.

Assim, todas as principais projecções globais de energia (BP, ExxonMobi e Shell) publicadas até ao momento em 2018 projectam um crescimento de longo prazo do mercado de GNL em cerca de 4% ao ano influenciados pelos principais mercados em crescimento, tais como a Índia e o Sudeste Asiático.

“Isso resulta de uma demanda projectada em 2040 na ordem entre 566 - 607 MTPA, que o mercado de Moçambique espera atingir”, disse Paul Eardley-Taylor.

Paralelamente, os observadores de GNL notaram um aumento no apetite do mercado e o provável avanço da “janela” para a próxima onda do projecto de GNL.

A “pimeira produção de gás” estava prevista para 2025, mas face aos novos desenvolvimentos esta previsão foi antecipada para o período entre 2022-2023 no hemisfério norte. Isto significa que a Decisão Final de Investimento (DFI) de vários novos projectos terá que ser decidida nos próximos 18 meses.

O Standard Bank teve conhecimento durante a conferência MMEC (conforme relatado pela Bloomberg) que a Anadarko aprovou prazos suficientes para o Acordo de Compra e Venda para atender às suas necessidades.

“A nossa expectativa actual é que a Área 1 de Golfinho (12,88 MTPA) e a Área 4 de Mamba tentem alcançar a próxima janela e terão como meta 2019 para as DFIs. Com efeito, Afungi seria então semelhante a Ras Laffan, no Qatar, com desenvolvimentos paralelos de GNL em construção no início de 2020”, referiu Paul Eardley-Taylor.

O Standard Bank espera que a atenção de Moçambique se volte cada vez mais para o gás doméstico, ou seja, a quantidade de gás offshore produzido pelos empreendimentos que não serão transformados em GNL e que será processado em unidades industriais em Moçambique (para uso interno ou exportação).

Isso também foi abordado num recente e importante discurso feito pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, na Chatham House, em Londres, onde o Standard Bank esteve presente. A vantagem do gás doméstico é que este ampliará as fontes de receita de Moçambique, aumentará o PIB (Produto Interno Bruto) e o conteúdo local, assim como promoverá o aumento dos benefícios.

Na Área 1, a Anadarko comprometeu-se com 50 milhões de metros cúbicos de gás por dia (MMSCFD) por trem, o que provavelmente será utilizado para abastecer duas novas plantas industriais - fertilizante e energia. Há também um grande empreendimento de gás para líquidos que foi anunciado pela Shell e seleccionado como parte do concurso para gás doméstico.

“Embora a produção em volume de fertilizantes e energia ainda seja desconhecida, esperamos que a maior parte do gás seja usado no processo de fertilizantes. Esperamos que os primeiros projectos de gás doméstico cheguem à DFI cerca de 2 anos após os primeiros projectos de GNL onshore, o que implica que os primeiros projectos de gás doméstico começarão a ser construídos em 2021 para entrarem em operação entre 2024-2025. Isso exigirá trabalho intensivo das partes interessadas moçambicanas nos próximos dois anos ou mais, mas os benefícios são enormes”, destacou Paul Eardley-Taylor.

Na Área 4, a recente integração da ExxonMobil e a suposição do papel de Operador Onshore significa que várias vertentes de trabalho multidisciplinar estão a caminhar para determinar a capacidade e a estrutura do GNL do Mamba, incluindo seu elemento de gás doméstico. “Esperamos que a Área 4 trabalhe com grande velocidade para garantir que o Mamba possa atender à próxima janela do mercado”, concluiu o director de Petróleo e Gás para África Subsariana do Standard Bank.

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